Medo

Medo de parar no tempo, por mais que por algum momento eu tenha ficado estática e querido que isso tivesse acontecido. Medo de deixar de acreditar nas pessoas, por mais que eu faça isso com algumas. Medo de deixar de sonhar, por mais que alguns sonhos eu já tenha desistido. Medo de aceitar atitudes que eu sempre desprezei, por mais que agora elas tenham mais liberdade em mim. Medo de perder pessoas inigualáveis, por mais que algumas eu já tenha perdido, saibam elas que sempre serão insubstituíveis. Medo das extremidades, por mais que eu não tenha noção do que é o “tudo” e o “nada”, do que é o “começo” e o “fim”. Medo de perder a razão, por mais que eu saiba que quando se ama, o que sobra é a emoção; talvez nem exista razão. Medo de perder a curiosidade pelo colorido, por mais que eu já tenha largado mão de muitas coisas. Medo de esquecer momentos incomparáveis, por mais que eu já tenha perdido alguns muitas vezes. Medo de não ter motivos para sorrir, mesmo sabendo que a felicidade não precisa de motivos para existir, pois ela não está nas coisas, mas em nós, porque a infelicidade é só uma questão de prefixo. Medo de perder a moral, por mais que eu, e tantas outras pessoas não saibamos a verdadeira essência da palavra. Medo de parar de pensar, por mais que eu nunca saiba o que você pensa por completo. Embora meu maior medo não seja nenhum citado ainda, ele é o mais indispensável: tenho medo de deixar de amar. Acredito que esse por si só se descreve, por mais fria, seca e vazia que eu seja. Mas é incrível como são esses medos idiotas que me fascinam, me motivam e me consomem. A verdade e o pra quê de tantos medos é que devíamos entender que não podemos desperdiçar o tempo como se ele fosse infinito.


Daí um dia você cresce e percebe que tudo aquilo que antes era tão grande, se tornou pequeno demais pra você.

Exagero

Escrevo, escrevo, apago. Volto escrever.  Paro, penso em mil coisas, que incrivelmente são indescritíveis. Eu ainda tento escrever sobre o que sinto, mas continuo estática em minhas palavras rasteiras. Passou tanto tempo e eu ainda tento te descrever, como se alguma tradução fosse o suficiente para tamanho apego e tanta contradição. Talvez você seja aquilo que da a cor e o tom das coisas lá fora, ou seja apenas o branco e preto de um dia nublado. Existem algumas partes isoladas que não fazem mais sentido, que ficam a procura de inconstantes respostas, mas não adianta. Parece muito e tudo sobra. Até aquele desejo enorme de te ter agora transborda, pois não há melhor definição. É que só assim me sinto mais perto do meu espaço ai dentro de você. O que eu não gostaria é que você ficasse pensando que tudo isso não passa de exageros, porque tudo que eu mais queria era conseguir te fazer sentir como eu me sinto quando penso em você, já ficaria satisfeita assim. É como se eu não soubesse lidar com a ideia da tua ausência, é tua falta entrando sem pedir licença. É quando as letras não cabem mais aqui, quando a saudade bate, quando a parte do seu encaixe em mim aumenta. Não é o vazio, porque eu sei que você está bem aí, ou logo alí. Mas é quando eu procuro palavras que combinem contigo, comigo; com a gente. Às vezes as acho, outras vezes não. Porque a “vontade” parece tão pouca, e só para não ficar mais banal, é quando não estou perto de você. Escrevo, apago, escrevo de novo, e... Droga! Queria que você tivesse como ler o que tem aqui dentro sem que eu precisasse dizer uma palavra ou mudar minha forma de sorrir. Queria que tivesse como você entrar no meu coração e ver o que realmente tem la dentro, talvez daí você teria certeza que se ele ainda bate, é porque você continua aqui. Isso não seria impossível, acredito que o “impossível” ainda continua sendo só uma questão de prefixo. E é desse jeito que permaneço: em um enorme amontoado de excessos que paira entre meus vagos pensamentos. Talvez seja mesmo; tudo exagero.

Felicidade


Felicidade não tem receita, 
Não tem caminho traçado
E nem hora marcada. 
Felicidade é o que pensamos, 
É o que desejamos, 
É o que nos faz sentir bem.